
Em 2009, completam-se 21 anos do lançamento da coletânea Hip-hop – cultura de rua, o primeiro registro fonográfico do rap brasileiro.
Lembro a primeira vez que ouvi Corpo Fechado, de Thaíde e DJ Hum, há uns cinco anos atrás no Espaço Rap, programa da Rádio 105 FM. Não simpatizava muito com o rap brasileiro e, por desconhecimento, tinha Sabotage até então como minha única referência no rap nacional.
Mas Corpo Fechado me marcou pela "crônica-rap" de Thaíde e pela crueza e originalidade dos scratches de DJ Hum e contribuiu para que futuramente eu fosse rever muitos dos conceitos que tinha sobre a cena brasileira do rap e do hip-hop.
Lembro a primeira vez que ouvi Corpo Fechado, de Thaíde e DJ Hum, há uns cinco anos atrás no Espaço Rap, programa da Rádio 105 FM. Não simpatizava muito com o rap brasileiro e, por desconhecimento, tinha Sabotage até então como minha única referência no rap nacional.
Mas Corpo Fechado me marcou pela "crônica-rap" de Thaíde e pela crueza e originalidade dos scratches de DJ Hum e contribuiu para que futuramente eu fosse rever muitos dos conceitos que tinha sobre a cena brasileira do rap e do hip-hop.
O ritmo e a poesia, que nomeavam o rap (rhythm and poetry, em inglês), fundiam-se de forma autêntica e ousada nas mãos e nas vozes de dois jovens negros e pobres da periferia paulistana. Alguns versos da música ficaram gravadas na minha memória:
(...)
Eu já te disse o meu nome
Meu nome é Thaíde
Meu corpo é fechado e não aceita revide
(...)
Vivo nas ruas com minha liberdade
Fugi da escola com 10 anos de idade
As ruas da cidade foram minha educação
A minha lei sempre foi a lei do cão
Não me arrependo de nada que eu fiz
Saber que eu vou pro céu não me deixa feliz
(...)
Tenho o coração mole, mas também sou vingativo
Portanto, pense bem se quer aprontar comigo
Se achas que esse neguinho sua bronca logo esquece
Então não perca tempo, pergunte a quem conhece
Além de Thaíde e DJ Hum (expoentes do rap brasileiro nos anos 80 e 90), o álbum contou com a participação de MC Jack, Código 13 e outros precursores do hip-hop brasileiro e a produção de Nasi (sim, ele mesmo: o Nasi do IRA!) e Skowa e foi, definitivamente, um marco na história do hip-hop e da música negra no Brasil.
Hip-hop – cultura de rua tem um lado festivo, algo que faz parte do hip-hop desde sua origem e difusão das block parties ("festas no quarteirão") em guetos de Nova Iorque aos bailes black em São Paulo e no Rio de Janeiro nos quais a diversão era a principal característica, mas preza principalmente pela denúncia das mazelas e da ausência de perspectivas que ainda atingem os jovens negros e pobres das periferias de grandes cidades brasileiras.
É impossível pensar na força que o hip-hop brasileiro possui hoje sem lembrar da enorme importância de Hip-hop – cultura de rua na trajetória historicamente contestadora do rap e do hip-hop no Brasil.
Corpo Fechado, de Thaíde e DJ Hum:
http://www.youtube.com/watch?v=W3lEmx2fVAY
Hip-hop – cultura de rua para download (73,6 MB):
http://rapidshare.com/files/43330486/HIP_HOP_CULTURA_DE_RUA.rar.html
Corpo fechado do Thaíde é um 'classicão' eu era novinho quando escutei pela primeira vez, acho que foi com a minha irmã, nem gostava muito de Rap na época e nem entendia nada, mas hoje em dia constantemente me pego ouvindo a coletânia (:
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